Hi, guys! Novo capitulo!
Ainda não é desta que vamos conhecer a mana "mai nova" da Agnes, isso ficará só para o próximo. No entanto, neste capítulo, não se esqueçam do intruso que a Agnes nota do outro lado do rio. Ele voltará aparecer.

Espero que gostem! Beijinhos!

E muitissssssimo obrigada pelos comentários!

III- O INTRUSO
Agnes seguia a passo rápido pela sua Casa. Fora construída em sua honra, no dia em que viera ao mundo e desde que a situação com a sua irmã, a princesa Gwenn, piorara que se mudara. Adorava o sossego, adorava o facto de ficar longe do centro de Sunnderland e ainda mais longe do castelo. Se pudesse iria ainda para mais longe.
Mandara celar o seu cavalo, precisava de arejar e cavalgar no seu garanhão negro. Não se deu ao trabalho de trocar de roupa, para algo mais confortavel ao balanço do cavalo, apenas calçou as luvas e vestiu um manto de pele mais grossa.
Saiu para o pátio e já lá estava o seu cavalo negro. Grande e altivo como um gigante, de pernas musculadas e fortes, com um temperamento igual ao de sua dona. Chamou-o Veludo, pois a sua pele negra como a noite era sedosa e por ser o tecido favorito de Agnes e porque era rapido. Muito rápido.
Não era costume as mulheres cavalgarem como um homem, porém na terra das Senhoras de Ferro, as mulheres aprendiam a cavalgar assim que nasciam.
Agnes subiu para o seu cavalo com agilidade, sem precisar de ajuda. Olhou para o céu muito rapidamente, iria chover muito em breve. Maldita chuva.
Jordana apareceu a porta de sua Casa no seu vestido de seda.
― Senhora, não quereis trocar vossa roupa? Esse vestido é deveras…
― Jordana, poupa a tua lingua. Já mandaste a resposta á minha irmã?
― Sim, Senhora.
― Ótimo. ― Esporeou o cavalo, que se ergueu nas duas patas, mostrando toda a sua altivez. Agnes sorriu ao ver alguns criados afastarem-se. O cavalo voltou a colocar-se nas duas patas, para logo a seguir sair a correr ferozmente sob o comando de Agnes.
As patas de Veludo batiam no chão ferozmente a medida que galgava terreno com rapidez e força. Agnes conseguia senti-lo a vibrar sob o seu comando, o vento passa-lhe pelos cabelos vermelhos e agarrava-se ao cavalo com força. Veludo saltou um tronco caído, sem nunca perder a velocidade.
Agnes adorava cavalgar, era a única maneira que se sentia verdadeiramente livre e verdadeiramente aquilo que era: Uma Senhora de Ferro.
O reino de Sunnderland era vasto, no entanto, como Agnes ocupava a sua casa, á sua volta apenas existiam campos sem dono, florestas de árvores mortas e casas desabitadas. Havia sempre algo novo para explorar em Sunnderland. Saiu da estrada de terra embrenhando-se nos caminhos secundários e tortuosos por entre as árvores. Á medida que se afastava do caminho principal, embrenhava-se ainda mais na floresta; As árvores iam ficando mais juntas, as copas mais cheias e o sol mal passava por entre as folhas.
Avistou ao longe o leito do rio Kye e Veludo, como que lendo a sua mente, para lá se digiriu. Correram leito acima, até o único entrave, ser o solo enlameado. Puxou das rédeas do cavalo que parou assim que comandado.
Desceu do cavalo e avançou até a margem. Ajoelhou-se, com a água fria a tocar-lhe os joelhos e mergulhou a cara na água rasa. Depois tirou as luvas e levou a água cristalina aos lábios. Ao seu lado, Veludo aproximou-se da água e bebeu também. Agnes tocou na pele do seu animal, sentindo-o quente da corrida.
Como que chamada por algo, o seu olhar dirigiu-se a outra margem do rio. Rapidamente se ergueu ao ver a figura que a observava, um jovem de cabelos compridos sob uma capa de pele de lobo cinzento. Imediatamente, Agnes levou a mão a pequena adaga que tinha no cinto. As Senhoras de Ferro aprendiam a manejar com lâminas assim que tinham idade para aguentar com o seu peso, Agnes era rápida e ficara conhecida nas terras de Ferro pela sua agilidade com as espadas.
Veludo agitou-se, como se tivesse visto um cobra e Agnes atendeu ao seu animal sossegando-o.
― Shhh. ― Pediu afagando a sua pele sedosa. Quando se voltou para o rio, o sujeito estranho já lá não estava. Não gostou daquilo. Não gostou nada.
Cavalgou de volta para a sua casa, sempre em passo de corrida e quando chegou, Jordana esperava-a a porta do pátio com um ar sério. Um dos criados segurou o cavalo pelas rédeas, enquanto a Senhora descia.
― Jordana! ― Chamou assim que tocou com os pés no chão. A sua Dama fez uma leve vénia, mas não se moveu. ― Mandai chamar o Capitão da Legião.
A Legião era o nome da patrulha que protegia a cidade de Sunnderland. Respondiam principalmente á Soberana, mas sempre que convocados apareciam. A casa do Capitão, ficava perto e com ele habitavam mais 20 homens da Legião. O mesmo se repetia por mais Casas da Legião, como eram conhecidas, espalhadas por Sunnderland.
― A que se deve, Senhora?
Agnes retirou o manto e as luvas, entregando-as a Jordana.
― Vi um intruso não muito longe daqui, perto do rio Kye.
― Mas Senhora, se houvesse algum intruso por aqui a Legião já o teria apanhado.
― Eu vi-o, Jordana e escondeu-se de mim, tão rapido como o piscar dos teus olhos. Envia um falcão ainda hoje, dizendo que os espero ainda hoje.
― Mas, minha Senhora…― Jordana colocou-se a sua frente, quando ia inicar a marcha para dentro de casa. ― Tendes visitas.
― Quem?
Jordana engoliu em seco.
― Sir Borrowman. ― Anges sorriu levemente.
Claro, mas claro que era Sir Borrowman. Obviamente. A sua irmã nunca jogava só com palavras, se Gwenn queria um casamento faria de tudo, para ter esse casamento. E, Agnes faria de tudo para não lhe dar esse gosto.
Agnes entrou casa adentro em direcção a sala onde recebia os seus convidados. Jordana seguia como sua sombra, tentando manter o passo e quando viu que a sua Senhora, não iria sequer trocar de roupa, atrevou-se a cortar-lhe o caminho.
― Senhora, não ides pelo menos trocar o vestido?
Agnes olhou para o seu vestido com lama e cheio de pó, quando olhou para Jordana tinha o ar mais inocente do mundo.
― Que tem o meu vestido?
― Está…está sujo, Senhora.
― Eu acho que está perfeito para receber, Sir Borrowman. ― Contornou Jordana e seguiu. A jovem Dama cortou-lhe o caminho novamente, desta fez Agnes levantou um sobrolho, mas Jordana não se moveu.
― Pelo menos lavai os cabelos ou a cara. Estáis coberta de poeira e…
― Jordana, esqueceste-te do teu lugar?
― Não, minha Senhora, é só que...
― Só o quê?
― Sir Borrowman, veio fazer-lhe a corte e...
― Jordana, eu por acaso, estou interessada em casamento ou em ser galanteada por Sir Borrowman? ― Jordana engoliu em seco.
― Não.
― Ah. ― Disse Agnes. ― Ainda bem concordamos.
A jovem calou-se imediatamente. Agnes contornou-a novamente e avançou para o salão, com a jovem silenciosa no seu encalço.
Quando chegou ao salão Sir Borrowan levantou-se da sua cadeira. Trazia a sua armadura brilhante com o falcão, simbolo real, gravado do peito. Pelo chão rastejava o manto vermelho, cor da casa Sunnderland e a sua espada pendurada no seu coldre, chegava-lhe abaixo do joelho. Era um homem bonito, Agnes não podia negar, tinha cabelos negros presos por uma fita de couro e olhos verdes tipicos de Sunnderland, era alto, forte, corajoso. Oh, sim tinha que ser corajoso para falar com Agnes.
Pegou na mão de Agnes e beijou-a suavemente.
Podia ser bonito, mas a Senhora de Ferro, não gostava de Sir Borrowman. Era convencido, altivo, de armadura brilhante e peles finas. Era cavaleiro, mas nunca pisara num campo de batalha. Nunca derramara sangue. Era um cavaleiro de salões.
― Minha senhora. ― Ergueu-se novamente e analisou Agnes. ― Regressais agora de uma corrida, assim vejo.
― Sim, eu gosto de cavalgar.
― Não é um acto muito digno de uma senhora…
― De uma senhora comum, de facto não é. Porém, eu sou uma Senhora de Ferro, nascemos para cavalgar.
― Talvez um dia corrámos juntos.
― Vós correreis e eu cavalgarei. ― Sir Borrowan abriu um sorriso bonito, mas falso e Agnes prosseguiu. ― O que vos tráz por cá, Sir? ― Sir Borrowman ia falar, mas Agnes adiantou-se. ― Deixai-me adivinhar, minha irmã mandou-vos a minha presença como forma de incentivo ao vosso cortejo?
― Estava por terras próximas de sua Casa e resolvi visitar-vos. O pedido de vossa irmã, nada trouxe de novo a minha demanda. Queria ver-vos. ― Agnes esforçou-se para não vomitar com tanto galanteio. ― Vossa irmã, acha-me bom candidato a ocupar o lugar de marido.
― E vós quereis mais do que ser um mero cavaleiro, presumo. ― Sir Borrowman fez uma breve vénia.
― Ter-vos como esposa, é o meu único prémio.
― Ah…pensei que tivesses melhor escolha.
― Vós sois a escolha.
Agnes analisou Sir Borrowman. Interesseiro. Apenas queria um lugar mais seguro na corte e nada melhor do que casado com a irmã da princesa Soberana.
Ele ganhava firmeza na corte e Gwenn ganhava poder sobre Kidrahul.
Kidrahul era a única terra livre, devido a sua aliança com Sunnderland. Não tinham Rainha, mas sim a Senhora – e essa era Agnes. Por ser a única terra de reis livre e nunca conquistada, desde que tivera idade para compreender a dinamica dos jogos de coroa, Gwenn ansiava pelo controlo de Kidrahul. Porquê? Era terra fértil, produtora de cavalos fortes e únicos, com as melhores lâminas e armas de guerra. Era a joía da coroa de Gwenn, porém para obtê-la tinha que controlar a irmã, Agnes. O casamento, era a melhor solução. Casaria a irmã com alguém que lhe fosse leal, Sir Borrowman por exemplo, este trataria de vergar o espírito da irmã da pior maneira e rapidamente teria controlo sobre a terra de Ferro.
O único problema é que Agnes não iria casar. O que não impedia Gwenn de tentar.
― Eu pergunto-me porque é tão importante o meu casamento? A minha irmã não necessita de jogos para ganhar a coroa, já a tem.
Agnes sorriu modestamente e Sir Borrowman, ainda não feliz com o sorriso modesto achou por bem continuar. Só que da pior maneira.
― Penso que vossa irmã, a nossa Soberana, acha que preciseis de protecção. De um homem que vos ame e vos trate bem. ― Jordana atrás de Agnes, abanou a cabeça levemente. ― Qual é a mulher que não precisa de um homem?
Agnes abriu um sorriso seco e teve vontade de alcançar aquela espada e trespassar Borrowman. No entanto, só sorriu.
― Sir Borrowman, podeis sair por onde haveis entrado. ― O sorriso do Sir desvaneceu. ― Eu não preciso de homem, não preciso de protecção. Sei defender-me, sou uma Senhora de Ferro, eu lidero as terras de Kidrauhl. Sei manejar espadas e cavalos como qualquer homem. Tenho terras, tenho ouro e prata, logo não necessito de sustento. ― Avançou para Sir Borrowman. ― E se precisar saber, o que é ter um homem dentro de mim, também posso obter isso. Porque acheis que tenho uma casa da Legião, tão perto? ― Disse num silvo. Girou sobre si mesma e voltou a ocupar o seu lugar. ― Por isso, ide-vos com uma mensagem para a minha adorada irmã: O próximo pretendente que ela enviar, regressará sem cabeça.
Sir Borrowman encarou-a com espanto.
― Sois pior do que dizem.
― Sim, Sir Borrowman. ― Abriu o seu melhor sorriso. ― Sou isso e muito mais. ― Retirou-se a passo rápido. ― Eu que não volte a passar por este salão, para encontrar-vos aí parado. Não planeio ter companhia para o jantar. ― Acenou de costas. ― Boa viagem.
Jordana olhou para Sir Borrowman e quando se viram sozinhos, sem qualquer som dos passos de Agnes, o cavaleiro suspirou.
― Que amarga é vossa Senhora. Nunca irá casar. Nenhum homem irá querer te-la na sua cama.
Jordana bufou.
― Ela é uma Senhora de Ferro. ― Disse com vêemencia. ― E eu desafio-o Sir, a repetir essas palavras na sua presença…isto é, se não tiverdes qualquer apreço por vossa cabeça.
― Eu apenas cumpri ordens.
― Pois, tendes a vossa resposta, Sir. A Senhora Agnes nada quer de vós.
Sir Borrowman olhou para Jordana e sorriu armagamente.
― É verdade os boatos que correm? ― Perguntou aproximando-se da jovem morena. ― Que a Senhora Gwenn não aprecia os homens, mas prefere a vossa companhia na sua cama? ― Jordana susteve a respiração, enquanto Borrowman lhe tocava no cabelo. ― É verdade? ― Jordana largou as vestes que trazia nos braços, levou o punho fechado atrás do ombro e depois bateu contra o nariz de Borrowman. O homem caiu ao chão com um estrondo, levando a mão a cara e sentindo um liquido quente. ― Sua vaca! ― Gritou agarrando o nariz. ― Sou um Cavaleiro! Sou um Sir! ― O sangue jorrava como um rio vermelho e Jordana, que a inicio sentiu-se em pânico, mas depois abriu um sorriso vitorioso. ― Eu sou um Cavaleiro!
― Jordana! ― A jovem voltou-se e viu Agnes de pé, junto a porta com os braços cruzados. Aproximou-se a passo lento, enquanto Borrowman tentava colocar-se de pé, com o nariz vermelho e os lábios pintados de sangue. Num gesto rápido, Agnes retirou-lhe a espada, girou-a agilmente da mão e encostou a lâmina ao seu pescoço. ― Entrais na minha casa, insultais a minha pessoa e a minha Dama de companhia, ainda ousais dizer que sois um Cavaleiro? ― Agnes segurou-o fortemente pelas bochechas. ― Saí daqui, antes que enfie esta espada num sitio menos digno de um suposto Cavaleiro!
Empurrou Sir Borrowman e atirou a espada, que deslizou pelo chão de pedra.
― A Soberana saberá disto! ― Pegou na espada e saiu a correr da casa. ― A SOBERANA SABERÁ DISTO!
Tanto Agnes como Jordana permaneceram em silêncio, até se ouvirem os cascos do cavalo de Sir Borrowman abandonarem o pátio.
― Senhora, temo que aquela não tenha sido a melhor das minhas acções. ― Disse Jordana sentida. Agnes olhou de soslaio para a sua Dama.
― Tens razão. Podias ao menos ter partido o nariz ao bandalho! ― Exclamou. Rodou sobre si mesma e seguiu para fora da sala. ― Preciso de ajuda para arrumar os baús, vens ou queres distribuir socos a mais alguém?
Jordana correu atrás da sua Senhora, não antes do cair da noite a Guarda Real estaria ali para leva-la para o Castelo e a Senhora tinha muito que arrumar.
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