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 O que poderia ter sido (MdM/Shura)

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ScorpioNoLuthien
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Sab Jan 28, 2012 3:01 am



Música de Rascal Flatts

Capitulo Dez

Carlo limpou o suor da testa. Estavam por volta de 30ºC e ele estava a trabalhar à horas sob o Sol ardente. Manigoldo havia lhe arranjado trabalho numa obra de uma nova catedral, não estava habituado a fazê-lo mas não podia reclamar. Tudo o que é mau tem também o seu lado positivo. Todo o seu trabalho árduo fazia com que os musculos do seu corpo, já desenvolvidos, ficassem ainda mais definidos.

Estava no final da sua hora quando Aiolos apareceu, como nos últimos dois dias fazia, para irem juntos para casa. A sua personalidade calma e divertida fazia-lhe bem, fazia-o esquecer de todos os problemas.

Desciam a rua sempre a conversar amenidades, o rapaz contava-lhe as peripécias por que passava na faculdade. Algumas faziam-lhe rir tanto que chegava a ficar com dores nas maçãs do rosto. Não se conseguia lembrar de alguma altura que tivesse tido tanta paz de espirito.

Á noite sentava-se com o tio num cadeirão de pele, tipico dos anos 70 e fumavam charutos enquanto jogavam poker na mesa. Alguma vez fora assim feliz?

Dois pares de olhos verdes, tão parecidos, apareceram quão fantasmas no seu pensamento. Aiolos conseguiu ver a transformação no rosto do primo... acenou ligeiramente a mão à frente dos seus olhos vendo-os voltar a focar a sua cara.

-Queres parlare sobre esso?- perguntou. Desde aquela noite que tentava que Carlo lhe contasse o que se passara em Espanha para querer ir viver com eles mas o outro fechara-se em copas.

-Sobre o quê? Não sei do que estás a falar... -sorriu torto, como o rapaz o fazia lembrar Milo certas vezes. Passou o braço sobre os ombros dele e disse-lhe ao ouvido: -Non precisas preocupar-te tanto Ai, vou pensar que estás appassionato per me... -adorava provocá-lo.

-Deviamos ir andando, o meu padre já nos espera para mangiare... -afastou-se do toque do mais velho, corando. Ficava completamente embaraçado quando ele começava com aqueles toques ocasionais, parecia que o fazia propositadamente.

-Estou um pouco cansado dos serões com o tuo vecchio... que tal irmos mangiare os dois a algum sitio requintado? Eu pago, só tens de escolher...

-Non acho que esso seja una buona idea ...

-Oh vá lá... passamos a vida em casa. Se estás preocupado com o teu horário de recolher eu posso simplesmente falar com o Manigoldo. Vamos juntos, não faz sentido teres horário para chegar. Alguma vez foste a uma discoteca?

-Non gosto de sitios barulhentos e cheios de persone. -tentava desesperadamente livrar-se de ter de ir com Carlo. Gostava demais da sua proximidade e isso não era algo bom.

-Então talvez... um bar. Sì é esso, podemos ir a um bar calmo. Preciso mesmo sair daquela casa, sinto-me um vecchio.

Sabia que era uma guerra perdida. Quando o outro metia algo na cabeça não descansava até conseguir o que queria. O melhor era fazer era fazer-lhe a vontade e despachar logo aquele jantar. Sorriu e assentiu-lhe com a cabeça.

-Va benne mas temos de ir ao Jean Paul's restaurant. -era só o restaurante mais caro da cidade, já que tinha de ir avante com aquilo pelo menos fazia-o sofrer um pouco.

-Por mim tudo bem... concordei em escolheres o restaurante, vais ter o que quiseres como a bela donzela que és.

Recebeu um soco de aviso no braço e riu vendo-o corar uma vez mais. Iria divertir-se essa noite.

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Ao chegar a casa dirigiu-se à sala onde sabia que estaria o tio. Se queria levar Aiolos teria de convencer o outro que o filho já não era nenhuma criança.

Encontrou-o sentado no cadeirão habitual com o olhar vazio, fazia confusão olhar para ele assim. Sabia que devia estar a relembrar a ex-mulher que morrera quando o primo tinha 5 anos. Havia-se convencido que a culpa da morte dela era sua.

Emily Cancer era uma pessoa cheia de vida, trabalhadora e que odiava estar parada. Era engenheira química e muitas vezes levava trabalho para o laboratório de casa, especialmente com o nascimento de Aiolos, nunca queria atrasar o trabalho mesmo que tivesse que equilibrar as duas tarefas ao mesmo tempo.

Naquela noite Manigoldo teve de trabalhar até de noite e quando finalmente conseguiu chegar a casa viu-a envolta em chamas. Entrou através do que um dia fora a porta e correu à procura da sua família. Encontrou-os num cómodo soterrados pelo pedaço de telhado que havia caído sobre os dois, a criança estava perto da porta e Emily esticada sob a janela. Desenterrou o filho e, ao colocá-lo a salvo, dirigiu-se uma vez mais ao local que os encontrara.

As chamas haviam alastrado e ele não conseguira alcançá-la a tempo. Ficou despedaçado ao ver os seus belos cabelos cor d'ouro queimar sem conseguir ajudar.

Carlo sabia que ele nunca mais recuperara do trauma.

-Manigoldo? Ei velho! -aumentou o tom quando o tio não lhe respondeu.

-Ah és tu... senta-te aqui ao pé de mim...

-Zio, tens de parar de pensar nisso. Não te faz bem a ti nem ao Aiolos...

-Non sei do que estás a falar... -virou o rosto para que o mais novo não visse o desespero espelhado nele.

-Devias ser meu padre... somos parecidos. Sei que não vais querer falar sobre isso então vou directo ao assunto. Quero levar o teu figlio a jantar e não vamos voltar cedo, vê se te recompões até lá. Não quero que te veja assim. -colocou a mão no ombro do outro apertando levemente.

-Grazie...

-Não tens de quê, farias o mesmo por mim.


««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Saiu do banho e secou-se com a sua toalha turca. Olhou para as roupas que havia separado para vestir e suspirou. Insistia que era só uma saída entre primos mas não conseguia tirar a imagem do outro com o luar a banhar o seu corpo despido na cama.

Aquele pensamento fez com que o seu estomago revirasse. Ele era família e acima de tudo homem, o pai deserdá-lo-ia se soubesse o que sentia.

Deslizou a camisa social verde escura de seda sobre os ombros e apertou os botões. Ao terminar de se vestir olhou a sua imagem no espelho, estava bonito... A cor da camisa fazia realçar a cor dos seus olhos e as calças sociais justas mostravam um pouco o contorno das suas pernas bem feitas. Ajeitou o cabelo com gel deixando-o com uma textura espetada.

Porque se estava a arranjar tanto? Abanou a cabeça e decidiu não pensar mais no assunto.

Abriu a porta do quarto que partilhava com o outro vendo-o vestir as calças sociais pretas. Estava de costas para ele e conseguia ver os seus músculos a contrair quando se esticou para alcançar a camisa, também preta, sobre a cama. Estava a pensar nele de novo... no seu corpo sexy, em como seria a sensação de tocá-lo.

Despertou do seu transe quando o seu objecto de desejo se virou para encará-lo. Desviou rapidamente o olhar, tinha de parar de pensar naquelas coisas...

-Scusa... pensava que ainda estavas lá em baixo a tentar convencer o padre.

-Non há problema... ele ficou convencido rapidamente. Disse até que ficava contente por sairmos juntos, que eu ia dar um óptimo genro... -deu um dos seus melhores sorrisos tortos que Aiolos conhecia tão bem. Sempre que ele o provocava esboçava um...

-Deviamos ir... não quero voltar tarde. O padre...

-O teu padre aguenta bem uma notte sozinho. Que tal conduzires tu o carro? Eu non sei onde fica o restaurante..

-Ma non posso ...

-Io estou a dizer que podes. Tens de começar a aproveitar a vida e a fazer o que te apetece... Afinal és ou non maior de idade?

-Ma io sono... -baixou a cabeça.

-Mas nada. -alcançou as chaves do veiculo em cima da mesa de centro e atirou-lhas. -Eu non conto nada se tu non contares...

O restaurante francês era perto da basílica Santa Maria del Fiore um sitio de enorme afluência turista. A noite estava linda, completamente estrelada.

Ao entrarem foram atendidos por um maitre que indicou uma mesa mais discreta ao fundo da sala. Carlo puxou a cadeira para Aiolos sentar tocando o seu ombro no processo.

Pediram as ementas e escolheram um prato bastante popular composto por marisco.

-Que tal um bom vinho? -perguntou o de cabelo cor de areia ao mais novo.

-Eu non devia beber... não tenho muita tolerância ao álcool. -admitiu.

-Qualquer coisa io estou aqui para te levar às costas para casa... vá lá, o teu padre não te vai deixar sair tão cedo. É melhor aproveitares...

-Estás a tentar embebedar-me?

-É, talvez esteja! -gargalhou.

Comeram e beberam um pouco em silêncio. Aiolos remexia no seu prato com o garfo em sinal de nervosismo, queria perguntar-lhe de novo... porque ele estava sempre tão triste e pensativo. Sabia o nome do problema... Shura. Mas o que levou a afastar-se de uma pessoa de quem gostava?

-Ei bambino! Estou a tentar falar contigo à pelo menos cinco minutos... o que se passa dentro dessa cabecinha? -bateu com o seu dedo indicador ao de leve na sua têmpora.

-Niente... só non estou habituado a sair muito...

-E também és um mau mentiroso... sabes que podes falar comigo.

-Non adianta dizer-te. Sei que vais fugir à conversa. -deu um grande golo no seu copo que continha um liquido bourdeux.

-Porque non tentas? -Apoiou o queixo nas mãos à sua frente. -Podes ficar surpreendido...

-Estava a perguntar-me o que pode levar uma pessoa a deixar outra que ama para trás...

-De novo essa conversa? Já disse que não sei sobre o que estás a falar... -tomou uma atitude defensiva cruzando os braços sobre o peito.

-Estou farto que responda sempre lo stesso! -disse atirando com o pano que usara sobre o colo para cima da mesa. -Afinal para que me trouxeste qui? Falarmos de mim? De novo? Estou cansado de falar só de mim. E tu? O que estás aqui a fazer? Dizes que posso falar de tudo contigo mas non confias em mim... Vou voltar para casa.

-Aspetta!- suspirou. -Eu não sou muito bom com estas coisas ok? Expressar sentimentos. Volta a sentar-te, prometo que conto tudo...

-Estou à espera... -voltou à cadeira ostentando uma cara de poucos amigos. Estava séptico quanto à decisão dele de responder às suas perguntas. Viu-o ficar um pouco sem cor e a beber o resto do conteúdo do seu copo como que a ganhar coragem. -Io aiuto. Quem é Shura?

-Onde ouviste esse nome?

-Desde o primeiro dia que chamas por ele, no teu sono...

-Scusa se non te deixo dormir. -sorriu nervoso.

-Non quero ouvir piadas Mask. Chi è?

-Podemos simplesmente jantar? Io conto-te tudo no bar... deixa-me organizar as ideias.

-Va benne mas tens só até ao final da notte...

Depois disso voltaram a mergulhar no silêncio. O bar a que iam era perto e, quando chegaram, tinha pouca gente. Carlo pediu a bebida mais forte que tinham, estava prestes a reviver tudo o que queria deixar para trás. Enchendo-se de coragem disse:

-É o amor da minha vida... só é pena ele não saber isso.

-Já alguma vez lho ha detto? -inconscientemente Aiolos aproximou-se do primo. Conseguia ver o sofrimento nos seus olhos.

-Várias... ele não quer saber. Até porque pensa que sou um playboy, que só quero brincar com os seus sentimentos. Já não sabia o que fazer... estive 18 anos à espera que ele percebesse que só quero estar ao seu lado e para quê? Continuar a ser desprezado. Sempre que acho que estou mais perto de o conseguir ele volta a fugir-me por entre os dedos. Estava a matar-me ver que eu não sou o que ele sempre sonhou... -apoiou os cotovelos nos joelhos e escondeu a cara nas mãos.

-Scusa... non queria deixar-te assim. -passou o braço sobre os seus ombros e abraçou-o. Beijou-lhe levemente o pescoço fazendo-o olhar para ele em confusão. -Só quero tirar-te essa dor que guardas no peito, fazer-te felice... Sou um completo stupido non? Tu aí a declarar o teu amor por outra persona e eu a tentar a minha sorte contigo.

-E se io deixasse? Só os deuses sabem o quanto eu o quero esquecer...

A medo o loiro juntou levemente os seus lábios sentindo como era beijar alguém pela primeira vez. Eram quentes e suaves, demasiado até para aquele homem cuja personalidade era tudo menos suave. Ele afastou-se levemente encostando as suas testas e sussurrou:

-Estamos rodeados de pessoas... não tarda temos toda a gente a olhar para nós.

-Non quero saber, neste momento só quero sentir-te mais... -voltou a colar-se a Carlo desta vez com paixão. Sentiu a sua língua a pedir passagem por entre o beijo o que concedeu com bastante agrado,ele explorou toda a sua boca sem se fazer de rogado, agarrando pela sua nuca mantendo-o bem perto.

Após uns bons minutos naquela posição finalmente o mais novo separou-se.

-Vamos para casa...

-Aiolos...

-Eu quero! Vamos. -agarrou o casaco com uma mão e com a outra puxou-o consigo na direcção do carro voltando a beijá-lo uma vez dentro do veiculo. As suas mãos voaram para o pescoço dele mantendo-o perto e ele sorriu.

-Talvez devêssemos tratar do assunto aqui...

-Non eu... non quero que a nossa primeira vez seja dentro de um carro... -corou.

-Nossa ou tua? És virgem? Céus... -passou a mão pelo cabelo. -Talvez non devêssemos fazer isto. -desde quando era o adulto responsável?

-Io estou decidido e niente do que disseres me vai fazer mudar de ideias... -dirigiu que nem um louco até casa e saiu do carro sendo seguido por um Carlo completamente nervoso que foi esmagado contra a primeira parede que Aiolos encontrou.

Beijaram-se novamente com o mais velho recuperando o controlo da situação. Não ia ser dominado por um rapaz inexperiente. Subiram as escadas no meio a beijos deixando a roupa por todo o caminho. Mal a porta abriu o loiro viu-se pregado à cama com o peso do outro sobre si. Lambia e chupava todo o seu pescoço e peito fazendo-o gemer baixinho.

Ao chegar à barra dos seus boxers Carlo ouviu um barulhinho irritante vindo das suas calças esquecidas perto da porta. Levantou a cabeça e aguçou o ouvido. Era o tom de toque de Milo...

-Scusa... tenho de atender esta chamada... -se o amigo lhe estava a telefonar significava que algo não estava bem...

-Deixa tocar... -o primo disse olhando-o com os olhos escuros de desejo.

-É só um segundo... -levantou-se de cima dele e pegou no tecido descobrindo o aparelho no bolso. Abriu a tampa, atendendo-o. -Mi? -ouviu uma voz conhecida do outro lado mas não era a do loiro. -Camus? O que se passa? Ele o quê? -passou a mão pelo cabelo pela milésima vez nesse dia. Estava com os nervos em franja. -Vou já para aí...

Vestiu as calças com urgência ao desligar o celular sendo observado pelo mais novo. Pegou a mala dentro do armário e começou a atirar toda a sua roupa lá para dentro.

-Mask? O que estás a fazer? -levantou-se tentando abraçar o outro por trás e sendo repelido.

-Tenho de voltar... já.

-E io? Como io fico?

-Desculpa miúdo... parece que nunca o vou conseguir esquecer... Alguém como io não te merece. -acariciou-lhe a face pegando em seguida a mala e deixando-o sozinho para trás...


Última edição por ScorpioNoLuthien em Qua Fev 22, 2012 2:20 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Sab Jan 28, 2012 1:02 pm

hmmmm, já não sei se o Shura não tem razão! O Carlo não consegue dizer não a um par de bolas pois não??? eheehehheeh. Pelo menos não chegou aos créditos finais e foi logo á voar de volta - loool- ansiosa por mais.
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Dom Jan 29, 2012 2:16 am

Querida coitado imagina se ele ficasse 18 anos sem sexo xD Neste caso foi mais o desespero que o levou a tomar essa atitude, estava a ser assombrado pelo facto de que por muito que tentasse, não ia conseguir esquecer Shura...

já a trabalhar no próximo...

kissus
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Sex Fev 03, 2012 3:27 am


Capitulo Onze


Carlo andava às voltas no aeroporto a tentar arranjar bilhetes de última hora mas o seu azar parecia nunca mais acabar. Todos os voos esgotados pelo fim de semana inteiro, algum evento que aconteceria em Zaragoza fez com que todos os passageiros comprassem bilhetes aéreos com meses de antecedência.
Sentou-se na sala de fumadores, fumando o seu terceiro cigarro da última hora, tentando pensar no que fazer. Pegou no celular e discou o número de Milo sendo prontamente atendido por Camus.
-Chama o Milo, preciso falar com ele... -disse bruto. Porque raio o ruivo atendia sempre o celular do outro? Sabia que eram um casal mas aquilo irritava-o.
''Ele está no hospital com o Shura, eu fiquei para trás para tratar de assuntos na empresa. Isto está um caos, precisamos de ti aqui. Já vens a caminho?''
-Não! Os voos estão todos lotados! -o desespero começava a apoderar-se do seu lado mais racional. Queria estar com o moreno já!
''Tenta permanecer calmo. Vou já enviar o jacto para aí. Diz-me em que aeroporto te encontras para conseguir a permissão para ele aterrar.''
-Aeroporto di Firenze. Camus por favor... diz-me o que se passa com ele. O que aconteceu? Alguém o tentou atacar? Teve um acidente?
''Acho melhor falares desse assunto com o Mi. Quanto ao estado dele ainda não sabemos de nada...''
-Eu tenho o direito de saber! -gritou para o aparelho.
''E vais saber tudo quando chegares... concentra-te em apanhar o jacto. Em uma hora ele estará aí.'' -ouviu o click da chamada a ser desligada do outro lado e suspirou. Ele tinha razão, entrar em pânico não ajudava em nada mas não o conseguia evitar. Era tudo culpa sua, havia deixado tudo para trás e deixado o seu cargo com o amigo. Sabia que ele era competente mas não podia vigiar Shura 24 horas por dia como ele próprio fazia.
Não era melhor se a vida fosse mais fácil? Se amasse alguém que queria o mesmo que ele? Mas afinal, o que queria? Não era uma vida ao lado do moreno? Sorriu, ironia do destino colocar-lhe no caminho a única pessoa que realmente amou para a mesma não querer estar a seu lado.
Estava perdido nos seus pensamentos quando sentiu alguém tocar-lhe no ombro com firmeza. Virou-se repentinamente já preparado para reclamar quando reconheceu a cara de Ikki, o segurança que havia recrutado para tratar de Seiya. Ele olhava-o sério numa expressão tão parecida com a sua mesma.
-Mask mandaram-me levá-lo de volta a Espanha. Vamos, o jacto já nos espera no hangar numero quatro, é uma hora de caminho de volta. -virou costas na direcção de um pequeno jacto particular que era usado para a deslocação de Shura a eventos importantes. Era branco e as iniciais SC embutidas a vermelho na lateral da máquina mostravam a quem pertencia.
O seu interior era mais espaçoso do que se podia prever devido ao seu tamanho exterior. Acomodava perfeitamente cinco pessoas, excluindo os pilotos, nas suas poltronas de cabedal almofadadas.
Carlo sentou-se na que habitualmente era ocupada pelo nobre e abriu o mini-bar ao seu lado. Serviu um copo de whiskey e bebeu-o todo de uma vez servindo-se de outro logo em seguida.
O subordinado olhava-o de lado desaprovando a sua atitude.
-Que foi? Nunca viste ninguém beber? -resmungou.
-Só acho que devia estar sóbrio para o que o espera... em trabalho não se consome bebidas alcoólicas. -apoiou a maçã do rosto na mão olhando para o céu enublado.
-Há muito que deixou de ser trabalho... se o fosse não necessitaria beber... Dá conselhos a quem tos pede, se não te pedirem limita-te a ficar calado. - até já se parecia com Shura a falar. -Ei miúdo! -chamou-lhe a atenção -Desculpa... Estou cansado e descarreguei em ti.
-Não há problema.
O resto da viagem passaram-na calados, assim como Carlo, Ikki também era um homem de poucas palavras. Ao aterrarem, um carro da empresa esperava-os para os transportar até ao hospital. O segurança atirou com a própria mala de qualquer maneira para a bagageira e entrou no veiculo dando de caras com o ruivo que indicou ao motorista o destino.
-Ele está nos cuidados intensivos, é tudo o que sei. -Camus retrucou sabendo o que passava na cabeça do outro.
Entrou feito furacão no hospital pedindo à recepcionista a indicação do quarto de Shura.
-Preciso de uma identificação senhor?... -pediu ela.
-Não tenho tempo para isto! Diga-me o numero do quarto... -bateu com o punho na secretária. Será que tudo o tentava atrasar?
-Senhor, são as regras. Necessito de ver alguma identificação para lhe dar esse tipo de informação.-recuou uns centímetros com o embate.
-Tudo bem. Aqui tem o meu cartão da empresa, sou o gerente. -o ruivo estendeu o documento para a rapariga.
-Quarto numero 60, terceiro andar. Têm de preencher um formulário com os dados do paciente. Ao dar entrada nas urgências o seu acompanhante apenas deu o nome, precisamos de mais dados. -ela estendeu uma pilha de papeis a Mask.
-Vai andando, eu trato disso. -Camus retirou com delicadeza os documentos da mão do outro.
Não esperou que ele lho dissesse pela segunda vez e carregou no botão do elevador. Subiu até ao andar indicado pela recepcionista e procurou pelos corredores o quarto do moreno. Depois de três corredores foi encontrar Milo deitado numa maca à porta do numero 60. Estava de olhos fechados e não parecia nada bem. A sua tez estava pálida e encontrava-se tapado por dois cobertores como se estivesse cheio de frio.
Aproximou-se dele e tocou-lhe ao de leve no braço exposto. O loiro abriu os olhos lentamente, sentindo-os pesar. Ao ver quem era tentou levantar-se num rompante mas foi assolado por uma tontura praticamente desabando nos braços dele.
-Ei,ei! Scorpion o que se passa contigo? -perguntou apoiando-o -Volta-te a deitar...
-Não, temos de falar...
-Olha para ti! À quanto tempo estás aqui?
-Só há três horas mas...
-Recosta-te, vou ver o Shura.
-Cancer espera... -mas já o segurança entrava pela porta do quarto. O moreno estava deitado na cama desacordado. Um médico via os seus dados numa prancheta enquanto duas enfermeiras lhe mudavam as ligaduras dos pulsos. Ficou parado uns segundos a tentar assimilar aquela realidade, nunca o vira tão vulnerável.
-Doutor, desculpe interromper, pode dizer-me como ele está?
-O Senhor é?
-Carlo Mask, sou o chefe da segurança de Shura.
-Sr. Mask vou pedir que aguarde na sala de espera. Assim que acabarmos aqui com o Sr.Capricorn eu próprio o chamo. Ele perdeu muito sangue, precisamos ver o desenvolvimento da transfusão. -voltou a olhar para a prancheta aproximando-se ocasionalmente dos monitores para verificar algum dado.
Deu uma última olhada ao corpo pálido e retirou-se. Sim o médico tinha razão, se insistisse em ficar só iria atrapalhar o seu trabalho. No corredor Milo era agora acompanhado por Camus e Ikki e comia uma sopa quente a contragosto, o loiro nunca gostara de vegetais o que o fez dar um sorriso torto. O que o amor fazia...
Ao o verem aproximar ficaram rígidos, iriam começar as perguntas...
-Sentes te melhor? -perguntou ao amigo recebendo de volta um leve aceno. -Óptimo, agora quero que me contem o que aconteceu com ele...
-Antes disso, o médico já te disse como ele está? -Camus tentou desviar o assunto.
-Ainda o estão a examinar... podem responder à minha pergunta?
-Vamos deixar-vos a sós... -o ruivo fez um sinal de cabeça para Ikki e afastaram-se.
-Então foste o designado a contar-me o que se passa com ele. Vais dizer a verdade?
-Claro que sim Cancer, não seria capaz de te mentir...
-Sou todo ouvidos...

Flashback

Camus voltou a discar o número do namorado três horas mais tarde, após uma importante reunião. Com a discussão esqueceu completamente de lhe dar a indicação que deveria dirigir-se à mansão e contar a Shura a nova pista que haviam descoberto sobre Seiya. Haviam encontrado a moto que ele havia vendido perto da fronteira com Portugal.
''Fala Camus...''
-Necessito que passes na Mansão antes de voltares para casa. Disse ao Capricorn que ainda hoje irias lá dar-lhe noticias do filho.
''Estás atrasado, já estou a caminho... Agora sou o responsável pelo caso não poderia deixar passar uma pista dessas despercebida.Vemo-nos daqui a nada. Amo-te.''

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Desligou o telefone ao ruivo mesmo na altura em que estacionava o carro na garagem particular da mansão. Passou na sala de reuniões e checou o horário de cada um dos seus seguranças antes de se dirigir ao piso de cima.
Ao bater na porta do quarto, olhou a de Mask. Sentia saudades do amigo... Esperou uns segundos e voltou a bater, não recebeu qualquer resposta como na primeira vez... Abriu a porta e chamou pelo patrão. Não havia sinal dele no cómodo, a única alternativa seria ele estar no banheiro e não o ter ouvido chamar por si. Repetiu o processo na outra porta de novo sem receber resposta. Começou a ficar nervoso, ele não poderia ter saído dali sem que ninguém o visse.
Tentou rodar a maçaneta e constatou que estava trancada pelo lado de dentro. Sem hesitar pontapeou a porta que logo se escancarou caída nos gonzos.
Olhou para a grande banheira e viu-o... A cabeça encostada na beira da banheira virada para si, os seus olhos vazios, o sangue que escorria do braço pendurado, a lâmina no chão... tudo provas do que ele fizera. Correu na sua direcção e puxou-o com toda a sua força para fora da água tingida de vermelho.
-Shura! Ei Shura! Céus, vais ficar bem... -Encostou o seu ouvido para tentar ouvir a sua respiração. Fraca mas estava lá.
Rasgou duas tiras da sua camiseta e fez um torniquete em cada braço do moreno, não era o ideal mas era tudo o que podia fazer no momento. Pegou no corpo inerte e embrulhou-o na coberta que estava em cima da cama.
Ao descer as escadas deu de caras com o namorado que fazia o caminho inverso. Camus parou chocado ao ver o namorado com toda a sua camiseta branca, os braços, os jeans e até um pouco dos seus cabelos tingidos de sangue.
-Milo o que se passa? -olhou para Shura que o outro carregava. -O que fez ele?
-Não posso parar a explicar! -atirou-lhe o próprio celular -Contacta o Carlo, ele tem de voltar. Imediatamente! Vou levá-lo ao hospital.
Deitou-o no veiculo que habitualmente dirigia e prendeu os cintos de segurança da melhor maneira que conseguiu. Pisou no pedal a fundo enquanto o espreitava pelo retrovisor.
-Capricorn espero bem que me consigas ouvir! Se morreres enquanto fores responsabilidade minha juro que te ressuscito só para te poder matar com as minhas próprias mãos!
Ao chegar ao destino pegou no corpo inerte e correu para as urgências onde foi prontamente atendido devido à gravidade da situação.
Sentou-se na sala de espera até que alguém veio na sua direcção.
-Ele perdeu muito sangue. Precisamos encontrar um doador compatível rapidamente para uma transfusão. -o medico tinha uma expressão grave no rosto.
-Não precisa procurar, eu sou do grupo sanguíneo O. Se necessitar de análises para confirmar, eu estive cá há uma semana a fazê-las para o relatório anual de trabalho.
-Vamos então confirmar se está tudo bem consigo e preparar tudo. Venha comigo...
Em cinco minutos estava deitado numa maca com uma agulha espetada no braço... e como ele odiava agulhas... Olhou para o rosto do patrão e viu-o pálido. Ele não podia morrer ali... não ia deixar.

Fim do Flashback


-Depois disso pediram-me para descansar cá fora para tratarem dele no quarto.
-Ele tentou... matar-se?... -sentou-se na ponta da maca com a cabeça baixa -Mi... é tudo culpa minha... eu sou responsável por ele e abandonei-o...
-Ei! Ei! Ei! Nada disso! Tu só tentaste seguir com a tua vida porque o vosso relacionamento não resultava. Não te podes culpar por isto.
-Eu prometi protegê-los de tudo... parece que não estou a fazer um grande trabalho hum? Em alguma altura do caminho esqueci o quanto eles significavam para mim...
-Carlo...
-Já tratámos do Sr. Capricorn, ele ainda está desacordado mas se quiserem podem entrar um de cada vez. -o médico da prancheta saía do número 60 e avisara o segurança como prometera.
Mask passou pelo médico e deixou para trás um Scorpion com as palavras de conforto por dizer.


Última edição por ScorpioNoLuthien em Qua Fev 22, 2012 2:20 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Dom Fev 05, 2012 12:39 pm

Olá gostei muito do capítulo claro, como sempre. Sinto muito mesmo pelo Shura, mas não sei se não foi ele quem escolheu assim. MAs espero com toda vontade e quase certeza do mundo, que eles comecem a entender-se agora. Sim, por favor já não posso com tanto sofrimento. Dá um agrado a menina doentinha * faz cara do gato das botas* beijoooos
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Dom Fev 05, 2012 7:46 pm

Hahaha assim como tu não vou spoilerizar ou isso xD Eu sou uma coração de pedra o truque do gato não funciona comigo muahahahaha
Mas assim como na tua Acidente do destino as coisas vão melhorar!

kiss
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Hoje à(s) 2:16 am

Capitulo Doze

Milo ficou a ver o amigo desaparecer atrás da porta de hospital completamente desolado com o que lhe havia sido contado. Queria ajudá-lo a fazer desaparecer aquela dor mas sabia que era algo que só Shura poderia fazer. Tentou voltar a atenção de novo para o médico que continuava na sua frente.

-Sr. Scorpion eu não quis expôr todo o diagnóstico à frente do vosso amigo. Ele pareceu bastante perturbado à pouco quando irrompeu pelo quarto... O Sr. Capricorn tem todos os sinais vitais estabilizados mas encontra-se num coma... não sabemos quando irá acordar... -o loiro olhou para o namorado com uma cara de desespero. -O senhor também devia descansar, a transfusão é bastante desgastante. Não poderão fazer mais nada senão esperar. Qualquer mudança eu próprio vos informarei...

-Obrigado Doutor... -Camus olhou para Milo e Isaak procurando uma resposta à sua pergunta muda. Como haviam de dizer a Carlo? Como dizer-lhe que o outro podia nunca mais acordar?

«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

O segurança entrou no cómodo e tentou não olhar para o corpo estendido na cama. Dirigiu-se à janela e observou o céu estrelado que se apresentava naquela noite sem nuvens...

-Eu sei que não há desculpa para que eu fiz... Shura, nunca te devia ter deixado. Quero que saibas que vou continuar à procura do Seiya, vou trazê-lo até ti... por favor... não voltes a tentar fazer algo que te magoe.. -limpou uma lágrima que rolava solitária pela sua face e aproximou-se de onde o outro repousava agarrando-lhe a mão. -Prometo não sair mais do teu lado. -acariciou os cabelos agora mais compridos do moreno.

-Eu sou mesmo uma besta não é? Deixar alguém com um coração como o teu para trás, sem sequer pensar no estrago que estava a fazer... -encostou a sua testa à do outro sussurrando que o amava sem obter nenhuma reação. Olhou para ele de perto observando que ele aparentava uma cor doentia, muito pálida e assustou-se. Haveria acontecido alguma coisa com ele enquanto o médico os tinha ido chamar?

-Shura? Ei! Porque não me respondes? Porque não acordas? Não me podes deixar... NÃO! Eu já te pedi perdão... -Agarrou desesperado a cara do outro entre as suas mãos olhando-o bem de perto e beijando os seus lábios, as lágrimas de pânico que, desde o inicio da noite teimava em conter, corriam agora soltas.

Sentiu uma mão apertar o seu ombro como que a encorajá-lo. Milo puxou o seu braço afastando-o do moreno que continuava inerte, completamente alheio a tudo o que se passava à sua volta, e abraçou-o. Perdeu a força nas pernas e deixou-se cair nos braços do amigo chorando com vontade.

-Tens de te acalmar Carlo... não adianta deixares a situação consumir-te. Hoje, chora o quanto quiseres mas precisas prometer-me que amanhã vais voltar a ser o mesmo e enfrentar a realidade... ele precisa de ti... -puxou-o até ao sofá de três pessoas que o hospital proporcionava no caso de ser necessário alguém dormir ao pé do doente e obrigou-o a esticar-se deitando a cabeça no seu colo. Havia sido uma longa noite mas, o dia seguinte seria bem maior...

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Tentou tapar o Sol que começava a incomodar os seus olhos entrando através da janela do quarto. Sentia todo o seu corpo dorido como se tivesse levado uma surra... Sentou-se no sofá e olhou para o amigo que continuava adormecido embora completamente torto no lugar. Sorriu, só mesmo aquele loiro a predispor-se a passar mal a noite para o apoiar. Realmente tinha um ótimo amigo.

Segundos depois os seus olhos, automáticamente, se dirigiram ao moreno. Beijou a sua face e sussurrou-lhe ao ouvido.

-Ei... não achas que já dormiste demais? Hoje não se trabalha? Bem... se o patrão vai tirar uns dias de férias acho que o empregado também pode hum? -retirou uma mecha de cabelo que caía na sua cara e podia jurar que havia visto o canto da sua boca elevar-se ligeiramente.

-Ele não te consegue ouvir... o médico ontem falou connosco depois de saires. Ele está em estado de coma Cancêr... tem todos os sinais vitais estabilizados então só podemos esperar que ele acorde... -ouviu a voz do loiro ainda meio ensonada atrás de si.

Ignorou o que o outro disse e levantou-se pegando no seu casaco surrado e estendendo a mão para abrir a porta.

-Onde raio vais tu? -Milo correu para o apanhar.

-A casa... tenho de tomar um banho e comer alguma coisa. Não quero cheirar mal quando ele acordar.

O loiro riu e seguiu-o até a mansão para recomeçar outro dia de trabalho.

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Durante três semanas Carlo teve sempre a mesma rotina. Acordar, informar-se com Milo sobre as noticias de Seiya e ir para o hospital fazer companhia a Shura.

Nesse dia estava entretido a contar-lhe como era a sua cidade natal quando o loiro bateu à porta. Recostou-se na parede sorrindo ao ver o carinho que o amigo demonstrava ao pegar na mão do moreno, falando baixo e calmamente com ele.

-Nunca tinha visto este teu lado carinhoso... Capricorn se demoras a levantar-te dessa cama ainda te tento roubar o namorado. -disse em tom de brincadeira ficando logo em seguida com uma cara surpresa ao ver o que estava deitado na cama abrir os olhos.

Shura abriu lentamente os olhos para encarar os azuis que o observavam atentamente. Será que queria tanto que ele estivesse ali que já começava a imaginar coisas?

Tentou soltar a sua mão do aperto do outro mas não conseguiu... aquela miragem era forte...

-Ainda não estou louco o suficiente para acreditar que estás mesmo aqui... -disse na sua voz rouca por falta de uso.

Milo riu e virou costas indo à procura de um médico, teria de informar alguém para o examinar aproveitando também para deixar os dois a sós por uns momentos.

O segurança sentiu os seus olhos encherem-se de lágrimas mais uma vez em tão pouco tempo e, sem se segurar, abraçou-o. O moreno encolheu-se sem saber bem no que acreditar, uma miragem não chora nem tem tanta força para dar um abraço de leão daqueles...

-Voltaste? Quando... -tentou dizer.

-No dia em que fizeste isto... -pegou no pulso já descoberto dele e passou o dedo sobre a fina cicatriz que o mesmo apresentava.

-Voltaste por pena então... já devias saber que eu não quero isso. -afastou o braço do carinho que recebia. Orgulho... como ainda conseguia senti-lo estendido naquela cama por se ter tentado suicidar? Não queria ter de encarar o segurança naquele estado... frágil...

-Deixa de ser absurdo! Sabes que eu nunca voltaria por sentir pena... conheces bem a pessoa que sempre tiveste ao teu lado... -baixou a cabeça -ou pelo menos pensava que sim.

Um médico entrou no quarto seguido de Milo deixando aquela conversa por terminar. Trocaram um olhar antes de Carlo se afastar para deixar o profissional fazer um novo exame a Shura... Suspirou e, acompanhado pelo amigo, abandonou os aposentos.

-Em que estás a pensar? -o loiro questionou vendo-o a mexer o café que segurava pela milésima vez. -Nunca te vi tão nervoso. Não devias estar contente por ele ter acordado?

-Devia ter adivinhado que ia ser diferente... esperava que me recebesse de braços abertos. Porque tive de ser tão egoísta? -todo o seu corpo começava a tremer de raiva. O seu lado racional dizia-lhe que não tinha culpa alguma no sucedido, apenas tinha tentado seguir a sua vida, mas o seu lado irracional fazia com que se sentisse um lixo por o ter deixado numa hora tão vulnerável...

-Ninguém podia prever o que ele ia tentar fazer Cancêr... para de te culpar. Não tens perfil de mártir... Só falta dizeres que também te queres matar! -a expressão na cara de Milo havia endurecido. Desde quando Mask era pessoa de se ficar a lamentar? Ele sempre pegara nos problemas e arranjara maneira de os resolver... -Precisas descansar, volta para a mansão. Eu fico aqui com o Capricorn.
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Hoje à(s) 2:01 pm

Ohhhh, ele está marcado por sofrer e o Shura em ser um frio insensível. Coitado do meu Carlo, por uns instantes lembrei-me de Bryce a sério, são parecidos o suficiente para se armarem em duros e meia volta se porem a choramingar. E o MIlo gosto muito dele, sim. Este cap. foi doce, valeu a pena esperar. Poxa moça, já não chega tanto sofrimento????
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MensagemAssunto: Re: O que poderia ter sido (MdM/Shura)   Hoje à(s) 8:21 pm

Ahahaha sabes como eu sou! Adoro fazê-los sofrer...
É o Mask já está a chegar ao limite das suas forças em relação ao assunto Shura e, por isso, é que está lá o Milo! Para isso é que os amigos servem, ajudar-nos a levantar nas piores situações da nossa vida =)
Penso que, apartir daqui já melhorará tudo xD Já não sei o que mais inventar para os fazer sofrer coitados xD Só se viesse um tufão e morressem todos, mas aí não haveria ninguém para sofrer xD

kiss
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O que poderia ter sido (MdM/Shura)

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