Yey! Mais uma crónica enorme!! Peço desde já desculpa pelo tamanho, mas entusiasmei-me! Ai, nem sabem o que tenho reservado para o pobre William e os seus companheiros :x
Mas até lá, espero que gostem desta! Digam de vossa justiça! :3
Não se esqueçam de espreitar o compêndio das crónicas caso estejam perdidos e não se lembrem de qualquer personagem que referencie! 
WILLIAM - LOCH CILWYRR
"Engasgou-se com sangue? Isso não pode ser bom..." Will estalou o pescoço e mastigou o lábio inferior enquanto andava impacientemente de um lado para o outro da cozinha.
Taissa remexia uma qualquer mistela verde aguada que fervia num caldeirão que pendia por cima do lume.
"Sim. Por isso é que ela estava a sufocar. Mas não deve acontecer de novo. Já a virei de lado por isso se sangrar não se voltará a engasgar." Juntou um molhe de ervas secas e enrugadas à mistela mexeu com uma colher de pau.
"Mas Taissa... ela está a cuspir sangue... isso não é mau?"
Will sentou-se e encarou as costas de Taissa que estava agora a moer o que parecia ser cérebro de cabra.
Esperou por uma resposta até o cérebro estar moído numa papa mole e esbranquiçada com veios de sangue aqui e ali. Taissa murmurou qualquer coisa para si enquanto acrescentava um punhado de sal ao cérebro e provava.
Depois de anuir em assentimento juntou os miolos ao caldeirão e olhou Will bem nos seus olhos verdes. "É mau. Aliás, é péssimo."
Will deixou a sua cabeça pender para a frente e enterrou as mãos no seu cabelo. Taissa continuou a falar. "Já fiz tudo o que podia por ela, Will. As suas feridas exteriores não são o pior, nem mesmo as internas pois para elas também já tomei as devidas precauções." Levantou-se e abriu uma prateleira de onde tirou o que parecia ser um morcego morto e seco. Começou a esfola-lo e a parti-lo em pequenos pedaços.
"Ela está em coma."
BAM. Lá se foi a cabeça a rebolar para o meio do chão. "E as suas feridas psicológicas são o pior William."
RIPPP. Taissa arrancou a pele das costas do morcego de uma só vez. "Se ela não conseguir domar a raiva e dor interior então as suas feridas psicológicas não sararão. Ela morrerá ou continuará em coma. Nem morta, nem viva. Num limbo terrível de dor e sofrimento e angústia."
TCHHH. O lume chiou quando os pedaços de morcego atingiram o caldo que entornou para cima das brasas.
William olhava o fogo hipnotizado.
"Eu não posso fazer mais nada pela pequena senão tratar-lhe das feridas físicas e limpar-lhe os cortes. O resto tem de ser ela a fazer." Aproximou-se de William. "Só ela se pode curar aqui e aqui." Apontou-lhe para coração e para a cabeça. William anuiu sem qualquer palavra.
Taissa voltou a aproximar-se do caldeirão e mexeu de novo, três vezes para a direita e duas para a esquerda. Pegou numa taça e despejou uma concha cheia. "Toma. Bebe. Vai revitalizar as tuas forças." Pousou a taça em frente a Will que a olhou com algum asco.
"Bebe rapaz! Precisas de forças para voltar lá para fora e proteger esta aldeia com os teus companheiros."
William murmurou uma prece inaudível a Amadeus e tentou não respirar quando tomou o primeiro gole. Saboreou durante uns segundos e engoliu.
Hmm. Nada mau. Picante e com um travo a terra.
Encolheu os ombros e agarrou na colher para peniscar os pedaços de morcego. "Taissa, eu não vou voltar lá para fora hoje. Os rapazes dão conta do recado. Acho melhor ficar por aqui para-..."
A porta da casa de Taissa abriu-se de par em par e Timothy entrou afogueado e com o cabelo a pingar da chuva que começava a cair.
"Will!" Pausou para respirar e ganhar fôlego. "Will tens de vir depressa. Apanhámos dois sugadores! Um deles matou o velho Johnson..." Os olhos de Tim estavam raiados de sangue e as suas mãos tremiam. Tinha as vestes sujas e cobertas de manchas e salpicos de sangue.
Taissa abanou a cabeça e fechou os olhos em respeito ao velho Johnson enquanto William se levantava de rompante arrastando a cadeira no chão.
Tim continuou. "Matámos um perto do lago. Não conseguiu passar por nós. Mas o outro passou... não sei como!" Proferiu a última frase com raiva e veemência e estremeceu enquanto apertava a barriga.
"Estás ferido?" William aproximou-se do amigo.
"Está tudo bem, foi só de raspão. Depois trato disso. Agora vem Will! O outro está vivo. Pensei que talvez o quisesses interrogar."
William abriu os olhos com espanto. Sim. Sim queria interrogar o sugador bastardo que tinha conseguido passar pelos seus companheiros e tinha morto o seu velho amigo Johnson. Sim queria interrogá-lo e torturá-lo e fazê-lo sofrer tanto quanto Lidia estava a sofrer neste momento.
"Vamos."
Agarrou na sua espada que estava encostada à perna da mesa e saiu sob o olhar atento e preocupado de Taissa.
-*-
Caminhavam apressadamente com a chuva a bater-lhes na cara. Estava vento e a chuva caía com violência. Era uma chuva fria. O Inverno estava mesmo a bater à porta.
"Como é que este sugador passou por vocês, Tim?"
Tim coxeava um pouco enquanto se apressava para manter o mesmo ritmo de William. Tinham o vampiro fora dos limites da aldeia para segurança dos habitantes.
Tim suspirou e abanou a cabeça. "Nem sei, Will... tínhamos tudo controlado. Ele passou pelo lado Oeste onde Oscar e Ben estavam a patrulhar. Não sei como eles o deixaram passar. O Oscar tem uma audição tremenda e o Ben tem olhos de lince! Não consigo entender..."
William parou e Tim quase cambaleou quando viu que o seu companheiro não o seguia.
"Ben? O Ben deixou passar outro sugador por ele? O Ben?" As mãos de William cerraram-se em punhos e os seus lábios firmaram-se. "Dois em dois dias? O que é que ele está a pensar!?" William grunhiu enquanto esmurraçava uma árvore. "Raios!"
Tim levantou os braços e gaguejou. "Will, calma... não sabemos o que se passou. Somos menos hoje... não sei..."
"Pára de inventar desculpas, Tim! Isto é inadmissível! Vamos!" Gritou enquanto voltava ao seu passo apressado e rasgava um pedaço da sua camisa para enrolar ao punho direito que tinha ficado ensanguentado por conta da casca da árvore.
Caminharam mais uns metros e, por fim, chegaram até aos seus companheiros. Os seus companheiros estavam num círculo à volta do sugador. Uns virados para dentro e outros para fora, controlando tanto o sugador capturado como o resto do terreno. No centro, um vampiro moreno com cabelo comprido coberto de sangue e com cotos ensanguentados no lugar de mãos e pés sorria com a maior descontracção.
"Seu idiota, imbecil, ignóbil e irresponsável!" William gritava enquanto se aproximava de Ben com o punho no ar.
"Hey, hey!" Os seus companheiros agitaram-se para agarrar em William antes que ele conseguisse atingir Ben que o olhava atónito.
"William! Tem calma!" Oscar, a voz da razão tentava impor alguma calma ao seu amigo. Nunca nenhum deles tinha visto Will perder a compostura.
Melisizwe aproximou-se de William e fechou a sua mão por cima do punho de William. Will grunhiu e tentou soltar-se dos braços fortes de Oscar mas foi só quando acalmou que o grandalhão o largou.
"Tu!" William apontou para Ben novamente. Ben olhava-o intrigado. Estava a uma distância segura de qualquer soco inesperado. "Dois Ben! Dois em dois dias! Como é que conseguiste essa proeza?"
"A culpa não foi minha Will." Benjamin olhava-o fixamente mas calmo. "Nem dei conta dele ter passado. Quando demos por isso já o Johnson estava feito em pedaços."
William cuspiu para o chão e aproximou-se dois passos até Oscar se pôr à sua frente. William rosnou e deu a volta.
"Benjamin, não sei o que se passa nessa tua cabeça de vento, mas não consigo imaginar como é que tu deixaste passar dois sugadores em dois dias! Andas a dormir?"
Os lábios de Ben rasgaram-se num esgar furioso. "E achas que eu não penso nisso William? Achas que eu não me culpo pelo que aconteceu à Lidia e agora ao Johnson?" Apontou para William enquanto dava dois passos para a frente. "E já te disse que a culpa não foi minha! Não foi só por mim que ele passou!" Continuava a apontar para Will e a bater com fúria no seu próprio peito.
Oscar meteu-se novamente no meio temendo a aproximação dos seus companheiros.
"A culpa foi de alguém Ben!"
"O Oscar também lá estava e também não deu por nada!"
William abriu a boca para retorquir mas Tim interveio. "Acho que essa discussão não nos leva a lado nenhum. Devíamos interrogá-lo a ele, não uns aos outros..." Apontou para o sugador que os olhava com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar.
"Oh, por obséquio, continuem! Isto é divertidíssimo!" O vampiro sorriu abertamente. "Eu até batia palmas, mas," levantou os cotos ensanguentados, "aquele grandalhão ali resolveu cortá-las à machadada por isso fica para a próxima."
William mordeu o lábio e voltou a rosnar enquanto ponderava as suas opções. O vampiro estava a ganhar forças enquanto eles estavam a discutir e a atribuir culpas. Mas a vontade de infligir dor a Ben era tanta que quase superava a vontade de torturar o sugador.
Quase.
Respirou fundo para se acalmar e estalou o pescoço que estava tenso. "Tens razão." Os seus companheiros pareceram respirar de alívio. Apenas Ben grunhiu e pontapeou uma pedra enquanto enfiava as mãos nos bolsos.
William aproximou-se do vampiro sorridente e olhou-o durante um bom bocado. "Quem és tu?"
O vampiro sorriu. "Acho que isso não importa, valente William. Não me parece que me vás deixar vivo por muito mais tempo..."
William inspirou pelo nariz e andou à volta do vampiro. "De onde vens?"
"De onde todos os vampiros vêm. Arindale."
"Qual é o teu propósito?"
"Oh, nada de especial, pensei em alugar um quarto para passar o dia, ver as vistas, talvez pescar um peixe no vosso la-..." William pontapeou-o na boca antes de ele terminar a frase.
"Qual é o teu propósito?" Voltou a repetir com firmeza.
O vampiro sorriu. Depois gargalhou com vontade enquanto sangue jorrava da sua boca. Depois cuspiu e olhou William sem qualquer emoção no olhar. "Sangue, o que é que achas?"
"Quem te mandou?"
"Ninguém. Não sou nenhuma ovelha a mando do pastor. Vou para onde quero. Vou para onde há carne tenra e sangue quente."
"Porque escolheste Loch Cilwyrr?"
"Oh, é assim que se chama esta aldeia? Nome bonito." Sorriu. "Pensei que se chamasse matadouro mas-..." Desta vez William agarrou-lhe nas bochechas, tirou uma faca das botas e arrancou-lhe o olho.
O vampiro guinchou e riu ao mesmo tempo. Os companheiros de William entreolhavam-se. Na verdade nunca tinham interrogado nenhum vampiro pois todos os que tinham apanhado tinham morto imediatamente. Mas este vampiro parecia insano.
"Ah, por Jebez, essa doeu!" Gritou em êxtase e riu de novo.
"Porque escolheste Loch Cilwyrr?" William voltou a perguntar.
"Porque está pertinho de casa."
"Resposta errada." William aproximou-se do vampiro, rasgou-lhe a camisa que tinha vestida e espetou-lhe a faca na barriga enquanto a arrastava para fazer um golpe. Depois agarrou nos intestinos do vampiro com as mãos e puxou-os para fora de uma só vez.
O vampiro gargalhou e tossiu. "Julgas que isso dói assim tanto mortal? Os nossos órgãos já nem funcionam!" Gargalhou de novo.
"Vou perguntar de novo e desta vez diz-me a verdade. Loch Cilwyrr não está pertinho de Arindale. Está a quilómetros e há imensas aldeias lá perto. Porque é que vieste cá? Porque estão tantos sugadores a vir para aqui? RESPONDE!" William pontapeou o vampiro na ferida aberta.
O vampiro deixou a cabeça pender para a frente e ficou imóvel.
O silêncio imperou entre todos durante alguns segundos.
"Morreu?" Perguntou Donnal enquanto se baixava para tentar ver a cara do vampiro.
Cuco abriu a boca para responder, mas uma gargalhada gutural fez-se ouvir. O vampiro gargalhava baixinho. Depois o som aumento e ele inclinou a cabeça para trás gargalhando com vontade.
"Ai... mortais..." Riu de novo. "Nem sabes o que te espera valente William. Os ventos estão a mudar. Bem como as marés. O nosso tempo está a chegar e tu nem vais saber o que te atingiu!"
William apontou-lhe a faca ao outro olho. "O que queres dizer com isso?"
Ele aproximou o olho da faca e deixou o gume penetrar-lhe na córnea com um barulho arrepiante e molhado. Depois riu-se enquanto gritava. "Quero dizer que vem ai a guerra. E os vampiros vão entrar nela pelo que dizem. E vocês não passam de carne para canhão!" Riu-se novamente.
William rodou a faca mas não arrancou o olho. "Elabora, sugador!"
"Já disse tudo o que tinha a dizer. Mata-me de uma vez que estou farto desta brincadeira." Parou de rir por uma vez e ficou sério. "Ah, e já que me tiraste os olhos, talvez os devas colar na tua nuca. Há um traidor entre vós, tem cuidado para não te espetarem uma faca nas costas, valente William."
Depois empurrou a cabeça com violência para a frente e deixou a faca espetar-se no crânio ficando inconsciente.
William cortou-lhe a cabeça terminando o trabalho e depois fitou os seus companheiros um a um.
Seria verdade?
Continua...